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sexta-feira, 19 de abril de 2013
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Espero aprender antes de morrer.
terça-feira, 6 de novembro de 2012
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Eu quero!
❝ Quero fim de ano, pés descalços na areia, a brisa do mar, fim de tarde tranquilo, música boa, sem relógio, despertador ou qualquer coisa que me mostre o tempo passando. Quero sair de noite olhar pro céu e ver estrelas, ter tempo pra ver como a lua é bela, observar pessoas, rir, chorar, pensar, viver, cantar, sentir.
Caio Fernando Abreu
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
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Atração fatal
Rokatia Kleania
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| Nadav Kander, Erin O’Connor posing as Ophelia, 2004 |
O pôr-do-sol já se despedia de mim, quando ela mansamente surgiu ao longe. Ainda distante, aquela suntuosa aparição me despertou atenção. O já quase velho coração acelerou repentinamente dentro do peito, numa batida que lembrava o saudoso frevo do último carnaval passado em Olinda. Meu olhar que antes dançava por entre os transeuntes que na busca incessante por saúde e corpos perfeitos faziam suas corridas diárias às margens da lagoa, agora ficara estático diante daquela verdadeira prova da existência de Deus. Haveria amostra mais divinal do que aquele exemplar feminino de beleza? Decerto que não.
Aos poucos fui percebendo, que de forma cadenciada e discreta ela se aproximava. Seu caminhar elegante e suave denunciava que aquela era uma figura feminina singular. Seu vulto agora próximo já se fazia real diante de mim. Nossa! Ela era mais bela do que imaginara minha míope fantasia. É verdade que já havíamos nos cruzado outras vezes, em outros lugares, em outras situações. Naquele início de noite, porém, ao praticamente tocá-la com minha íris, pude enfim perceber o quanto era verdadeiro tudo que diziam seus incontáveis admiradores. Impossível não apreciar tamanha perfeição desenhada sobre aquela branca epiderme.
Ao me flagrar sob o controle de seus encantos, procurei me esquivar. Estrategicamente escorreguei os meus olhos em outra direção, para não ter mais em minhas retinas a doce fotografia da sua face que agora se desenhava em detalhes a minha frente. Contudo já se fazia tarde, o brilho do seu olhar já hipnotizara o meu ser e conduzia sem nenhum pudor o meu querer.
Sabendo-se objeto de desejo de tantos, ela propositalmente brincava com meus sentimentos sem nenhuma compaixão e, como todo ser enamorado, eu totalmente desprovida de receio me oferecia como alvo das suas tão eficazes armas de sedução. Embora aparentemente parecesse observar a todos, o seu achegar me permitiu imaginar que seu olhar distraído me contemplava de modo especial. Conhecedora do seu poder sedutor, ela sabiamente se aproveitou da fraqueza inerente aos apaixonados, que naquele instante em mim fluía, para acenar com um desavergonhado sorriso.
Com a alma inteiramente embriagada e o corpo em total estado tórpido, recusava-me a dizer adeus, embora o último badalar do sino da igreja me avisasse que já era hora de partir. Fiquei ali, pois, por mais alguns instantes, enquanto a via delicadamente deitar-se sobre as águas escuras daquele belo cartão-postal. Seu corpo imerso tentadoramente me convidava a também mergulhar. Dei alguns passos em direção às águas. Totalmente gélida a água em meus pés contrastava com o quente pulsar em meu peito. De repente, em uma orquestrada sinfonia, o coaxar dos sapos, o cri-cri dos grilos e o piscar dos vaga-lumes me acordaram daquele transe lunar e me avisaram que eu não sabia nadar. Olho, pois, mais uma vez para ela e com um saudoso sorriso despeço-me, enquanto ouço ao fundo a Clair de Lune, de Debussi.
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Atração fatal de Rokatia Kleania é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Unported. Based on a work at www.aspirinasurubus.blogspot.com. Permissions beyond the scope of this license may be available at www.blogdaprofessorinha.blogspot.com.
quinta-feira, 11 de outubro de 2012
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Eu sei, mas não devia
Marina Colasanti´*
Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.
A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.
A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.
A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.
A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.
A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.
A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.
A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.
(1972)
* Marina Colasanti nasceu em Asmara, Etiópia, morou 11 anos na Itália e desde então vive no Brasil. Publicou vários livros de contos, crônicas, poemas e histórias infantis. Recebeu o Prêmio Jabuti com Eu sei mas não devia e também por Rota de Colisão. Dentre outros escreveu E por falar em Amor; Contos de Amor Rasgados; Aqui entre nós, Intimidade Pública, Eu Sozinha, Zooilógico, A Morada do Ser, A nova Mulher, Mulher daqui pra Frente e O leopardo é um animal delicado. Escreve, também, para revistas femininas e constantemente é convidada para cursos e palestras em todo o Brasil. É casada com o escritor e poeta Affonso Romano de Sant'Anna.
O texto acima foi extraído do livro "Eu sei, mas não devia", Editora Rocco - Rio de Janeiro, 1996, pág. 09.
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
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Você ama?
| Foto extraída de http://dark.bloguepessoal.com |
"Não confundas o amor com o delírio da posse, que acarreta os piores sofrimentos. Porque, contrariamente à opinião comum, o amor não faz sofrer. O instinto de propriedade, que é o contrário do amor, esse é que faz sofrer. (...) Eu sei assim reconhecer aquele que ama verdadeiramente: é que ele não pode ser prejudicado. O amor verdadeiro começa lá onde não se espera mais nada em troca."
(Antoine de Saint-Exupéry, in "Cidadela")
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Fim do casamento: egoísmo ou democracia?
NÃO ESTOU FELIZ (INVENÇÃO DO EGOÍSMO)
Quando alguém diz que pretende acabar a relação pois não está feliz pensa exclusivamente em sua felicidade. Não estava no casamento.
Felicidade não é egoísmo. E ninguém será feliz do mesmo jeito para definir que deixou de ser feliz.
Felicidade muda rápido demais para se tornar uma resposta. Felicidade é, no máximo, uma pergunta.
"Não estou feliz" é desculpa de quem não deseja mais se esforçar e doar sua ternura. É uma declaração de fundo falso porque não revela o que acontecia na vida a dois.
É blefe, avareza, ausência de cumplicidade. A alegria do casamento é que deveria estar no centro da questão (a matéria a ser avaliada), não a felicidade de um dos dois.
Quando a gente está triste, procuramos igualmente o colo de quem amamos. Estar triste é ter a felicidade de contar a tristeza para nossa companhia e ser confortado.
Mesmo infeliz, ainda existe a felicidade do casamento.
A infelicidade individual é um golpe de estado.
NÃO ESTAMOS FELIZES (ACEITAÇÃO DAS DIFICULDADES)
Já quando alguém diz que pretende se separar pois acha que o casal "não está mais feliz" é uma pessoa pensando na felicidade do par.
Avaliou todos os cenários antes de pedir a conversa.
Percebe que existe uma felicidade de cada um, além da felicidade que é a soma da rotina dos dois, daquilo que realizam para se divertir e amar.
Há a felicidade própria e também um território neutro, onde nos alimentamos do contentamento do convívio e do prazer de estar com o outro (ainda que triste).
Porque a felicidade do par pode sustentar a falta de felicidade individual. Ou a felicidade individual pode compensar a falta de felicidade do casal.
Quando as duas infelicidades se encontram, é difícil resistir à crise.
A infelicidade dos dois é um fim democrático.
Fabrício Carpinejar
sábado, 29 de setembro de 2012
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Sobre as mortes inesperadas
| Foto: http://inironichell.tumblr.com/ |
Eu morri. Sem querer, sem desejar, eu morri. Morri a morte dolorida daqueles que inexistem dentro do coração do outro. Morri, enquanto ainda adormecia os meus olhos no sonho inocente de paralisar a máquina do tempo, para recolocar cada coisa em seu lugar. Morri acreditando que podia transformar a estranha realidade do ontem, em um hoje muito mais bonito. Morri, enquanto a expectativa do até breve pernoitava dentro do meu coração, e me fazia acreditar que algumas partidas inesperadas são só um forma desajeitada de dizer: “vou ali, mas já volto”. Morri, acreditando que voltaria. Morri; perdida, dentro da indesejável solidão de quem fica.
Eu morri. Morri; pálida e exausta, com as cores do maior amor do mundo ainda nas pontas dos dedos, revelando minhas inúmeras tentativas de recolorir o seu coração. Morri, enquanto morria aos poucos, submersa em uma crença quase inabalável, de que o amor que carregava dentro do meu peito poderia transformar a sua vida. As suas coisas. As suas tantas fases, quando elas se desencontravam da lua. Morri, entregue ao vento, feito palavra perdida, não pronunciada; não revelada, quando ainda tinha tanto a lhe dizer. Morri muda, como aqueles que se perdem dos seus sonhos e chegam ao final da vida sem nada para contar.
Morri um pouco de cada vez… Uma morte lenta, de quem vai se entregando às pequenas dores, até não sobrar mais espaço na alma para doer. E morri cega, surda e perdida, sem conseguir encontrar o caminho de volta para a minha própria vida, porque mesmo sem você saber, eu estava morando na sua. Eu fiquei lá, morando, sentada, esperando, como quem espera sem nenhuma garantia; mas espera, só porque acredita que amor bonito marca tanto por dentro, que não importa o tempo que leva, ele sempre volta. E traz flores, plantadas dentro de um coração renovado e bem disposto, entregue ao encanto de um amor tão grande que sobreviveu ao tempo de uma espera eterna. Morri, de tanto esperar.
Morri, vivendo nos seus dias. E enquanto você vivia a sua vida, sem nenhuma vontade de voltar para os braços abertos de quem só espera, eu morria. E morri, sem saber ao certo o meu lugar nessa vida incerta e intempestiva, que nos sorri o sorriso mais bonito quando nos cobre de esperança, e nos mata aos poucos quando as estrelas que ganhamos para iluminar o nosso céu se apagam sem que a gente tenha conseguido tocá-las. Morri, segurando aquela estrela.
Morri, sem conseguir saber de verdade o meu tamanho. Sem saber se minha alma era realmente maior que o meu corpo. Morri, sem ouvir a verdade. Sem ouvir o que você nunca disse. Morri, sem conseguir chegar ao paraíso, encontrar Deus e lhe pedir perdão, pela minha falta de fé. Morri, sem nenhum encanto. Morri sonhando o sonho dos inocentes – dos que ainda acreditam no maior amor do mundo – e enquanto adormecia os meus olhos em uma espera, um anjo me falou que Deus me via. Que embora algumas vezes eu não acreditasse, Ele me via. E me via de um jeito tão bonito, que havia lhe enviado ali, para me dar algumas respostas. E que ele estava ali só para me dizer que um amor tão grande assim, não poderia morrer de repente. Que um amor tão grande assim, merecia mais. Que um amor tão grande assim, deveria se eternizar. Que um amor tão grande assim, deveria deixar alguém para lembrar e contar a sua verdadeira história. E foi só por isso – por ter enxergado no meio da multidão o tamanho do amor que eu carregava dentro do meu peito, sem ninguém saber – que Ele plantou dentro de mim uma semente que deu origem a uma flor: A flor do maior amor do mundo!
Agradeci ao anjo pelo presente. Agradeci a Deus por me amar assim. E, hoje, peço a Deus, que mesmo com a alma soterrada pela falta de esperança e o coração injustamente pisoteado, e ainda no chão, que eu não desista de amar. Que ainda que o tempo não consiga fazer o meu coração voltar saudável para dentro do peito, que eu não desista de amar. Que ainda que me digam que eu morri dentro do coração de alguém, que eu não desista de amar. Que ainda que doa o intraduzível, que eu não desista de amar. E que eu não desista do amor, porque é ele, o meu amor, o maior amor do mundo, que alimenta a minha flor.
Érica Gaião
terça-feira, 25 de setembro de 2012
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Raridade
| Imagem: http://michele.f.zip.net |
“É tão raro amarmos alguém por inteiro, com aquilo que nos agrada e com aquilo que não nos agrada. É tão raro sermos amados por inteiro, com nossas cavidades de sombra, com nossos dorsos de luz.”
Jean-Yves
segunda-feira, 24 de setembro de 2012
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Duvido!
Dizem que a saudade é uma palavra que só existe na Língua Portuguesa. Pode até ser. Mas duvido que o Aurélio consiga traduzir em palavras o que eu sinto agora.
[Rokatia Kleania in Saudades de Quem eu Amava]
A gente pode morar numa casa mais ou menos,
numa rua mais ou menos,
numa cidade mais ou menos,
e até ter um governo mais ou menos.
A gente pode dormir numa cama mais ou menos,
comer um feijão mais ou menos,
ter um transporte mais ou menos,
e até ser obrigado a acreditar mais ou menos no futuro.
A gente pode olhar em volta e sentir que tudo está mais ou menos...
TUDO BEM!
O que a gente não pode mesmo, nunca, de jeito nenhum...
é amar mais ou menos,
sonhar mais ou menos,
ser amigo mais ou menos,
namorar mais ou menos,
ter fé mais ou menos,
e acreditar mais ou menos.
Senão a gente corre o risco de se tornar
UMA PESSOA MAIS OU MENOS.
Chico Xavier
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| Foto extraída de: http://danielaborali.blogspot.com.br |
Cá entre nós: fui eu quem sonhou que você sonhou comigo? Ou teria sido o contrário? Sonhei que você sonhava comigo. Mais tarde, talvez eu até ficasse confuso, sem saber ao certo se fui eu mesmo quem sonhou que você sonhava comigo, ou ao contrário, foi quem sabe você quem sonhou que eu sonhava com você. Não sei o que seria mais provável. Você sabe, nessa história de sonhos — falo o óbvio —, nunca há muita lógica nem coerência. Além disso, ainda que um de nós dois ou os dois tivéssemos realmente sonhado que um sonhava com o outro, também é pouco provável que falássemos sobre isso. Ou não? Sei que o que sei é que, sem nenhuma dúvida: Sonhei que você sonhava comigo.
Por Trás Da Vidraça – Caio Fernando Abreu
sexta-feira, 21 de setembro de 2012
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Estratégia
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| Paul Cézanne, pintor francês |
Dias há em que preciso me mudar dentro de minha própria casa. Tentativa vã de dar outro abrigo ao que há de mais insuportável em mim.
Outro dia, uma amiga me disse que, quando está triste, muda de lugar os móveis de seu apartamento. Não entendi bem a lógica disso, mas suponho que seja semelhante à que me leva a transferir meu corpo, continuamente, durante o dia, pelos cômodos de minha casa.
Dias há, no entanto, nos quais nenhum lugar consegue resistir ao meu ódio, ao meu afeto. Aí, me estatizo. E insisto. Em pontos. Feridas. Lugares. Lembranças que não param, um só segundo, de ir e vir, de ir e vir... vertiginosamente, a ponto de me confundir e não me permitir saber mais se sigo vivendo precisamente por causa deles ou se me suicido, voluntária e lentamente, por insistir em tomar a pulsação de um sentimento que teve dia, horário e local de sepultamento. Mas que, a despeito disso, ainda encontra, em meu lar e em meu corpo, motivos pra se reinventar a todo instante.
Quando poderei, enfim, descansar?
Juliana Leal
quinta-feira, 20 de setembro de 2012
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A verdade é que...
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
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Conselhos de um velho apaixonado
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| Imagem: Eu Agridoce |
Se você conseguir, em pensamento, sentir o cheiro da pessoa como se ela estivesse ali do seu lado…
Se você achar a pessoa maravilhosamente linda, mesmo ela estando de pijamas velhos, chinelos de dedo e cabelos emaranhados…
Se você não consegue trabalhar direito o dia todo, ansioso pelo encontro que está marcado para a noite…
Se você não consegue imaginar, de maneira nenhuma, um futuro sem a pessoa ao seu lado…
Se você tiver a certeza que vai ver a outra envelhecendo e, mesmo assim, tiver a convicção que vai continuar sendo louco por ela…
Se você preferir fechar os olhos, antes de ver a outra partindo...
É o amor que chegou na sua vida.
(Texto atribuído a Carlos Drummond de Andrade)
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